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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Entrevista - Biano Bianchin

Biano Bianchin é um dos skatistas mais completos de toda história do skate brasileiro. Seja num corrimão extenso e íngreme, ou num bowl com uma parede daquelas, esse skatista não mede esforços para encarar todas as supostas adversidades. Quem conhece o cara sabe muito bem do que ele é capaz.

Recentemente Biano quebrou o pé numa sessão de fotos. Para aproveitar esse seu período de molho, resolveu colocar as coisas em ordens e programar o futuro, que terá inúmeras novidades. Na entrevista abaixo o skatista conta um pouco dos dilemas do mercado nacional e também evidencia a importância das marcas quem realmente levam a sério aquilo que é mais importante no skate: você, o skatista! 

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Entrevista com Biano Bianchin

Idade: 36 anos
Tempo de skate: 23 anos
Patrocínios: Converse, Volcom, Evoke, Ogio, Crail Trucks, Live Skateboards.

Qual foi a causa de sua lesão? Relate brevemente como isso aconteceu.

Bom, foi no final de uma sessão em SBC, numa fábrica. Eu estava com meus amigos fotografando para a revista Tribo e filmando para minha parte no vídeo Made in Brasil. Estávamos andando o dia todo, já tinha rendido váriatricks de todo mundo. Aí, como sempre, naquela última manobra do dia, fui tentar um polejam late shovit pulando um barranco. Já estava me vendo sair andando na manobra. Foi muito rápido. Daí quebrei o pé de trás e tive que passar por uma cirurgia. Sorte que estava com meus amigos que fizeram o resgate (valeu dagger´s!). Skate não é só alegria, mas estamos sempre sujeitos a isso. Como diz o Jeff Grosso: “quando a gente acha que dominou o skate, ele vem e te passa uma rasteira”. Mais logo mais estou zero e muita grindonnnnnnn!
Direto do túnel do tempo: b/s nosegrind na Praça da Matriz - Porto Alegre (Foto: Jerry Rossato)

Ficar sem poder andar de skate por conta de machucados é o pesadelo de qualquer skatista. O que você está fazendo nesse período "de molho" em virtude da lesão?

Estou focado na minha recuperação, curtindo muito minha família, minhas filhas, lendo e fazendo outras coisas que quando estamos bem não temos tempo pra fazer. Também estou agilizando coisas pessoais, ocupando a cabeça pra não ficar louco de vontade de andar de skate. Essa é uma hora de ficar com a cabeça boa, é hora de aproveitar para fazer outras coisas, mantendo contato com meus patrocinadores, e muita fisioterapia, é claro!

Você é um dos poucos casos de skatistas brasileiros que recebem total apoio dos patrocinadores, principalmente em momentos difíceis, como esse, em que você está machucado. Como você avalia este respeito que os patrocinadores tem por você?

Acho que isso é resultado de uma carreira longa e sólida. Sempre tento ser o mais profissional possível. Já tive outras lesões no joelho e eles me apoiaram do mesmo jeito. Eu voltei melhor que antes. Isso é resultado também de uma boa parceria de anos, e nessa hora isso é muito importante para uma recuperação boa e rápida. Só tenho a agradecer meus patrocinadores, tenho sorte de ter marcas do meu lado que sabem o que é ser skatista profissional!

F/s 180 fakie nosegrind, em 1991. Praia de Torres - RS. (Foto: Jerry Rossato)

Nos EUA é comum ver fotos e entrevistas de  skatistas que não estão mais no auge da carreira, ou, até mesmo, impossibilitados de andar de skate. Esse é o caso de John Cardiel. Infelizmente ele não pode mais andar, mas, mesmo assim, possui produtos com sua assinatura, participa de eventos e até de tours. Você acha falta um pouco disso no Brasil? 

Acho que isso é respeito e consideração por tudo que a gente faz pelo skate e pelas marcas. Eles criam ídolos e isso é pra sempre. Seu nome vai sempre vender e sempre vão lembrar o que você já fez. Aqui no Brasil, algumas marcas te suga o máximo possível e depois te mandam embora como se nada tivesse acontecido. Acho isso uma falta de respeito. Acho que temos que aprender a formar ídolos, imortalizar os skatistas, também porque tudo passa, todo mundo envelhece, mais as coisas boas ficam. Qual perspectiva que um amador vai ter com sua carreira como profissional, depois de dedicar sua vida pelo skate, enriquecer as marcas e ser mandado embora sem nada?
  
Base é tudo: f/s ollie over the channel. Brasil Skate Camp, 2009. (Foto: Fabiano Lokinho)

Streeteiro nato! Extenso 50-50. Volcom Tour, 2009, Uberlândia - MG. (Foto: Fabiano Lokinho)

O que é mais problemático na carreira de um skatista profissional brasileiro? 

Bom, a  falta de consideração e respeito, além condições para você poder realizar seus projetos e viagens. E também, a falta de eventos legais.

Você é um exemplo de que a carreira de um skatista profissional no Brasil pode ser bem sucedida. Atualmente você possui vários patrocinadores e está sempre na mídia. Qual o conselho que você dá para os skatistas mais novos? Muitos deles estão preocupados somente em andar de skate, mas esquecem das outras obrigações que a carreira de um skatista impõe... Você acha que falta maturidade para a galera mais nova?

Sempre gostei muito do que faço. Sempre tento ser o mais profissional possível, participo sempre dos projetos com meus patrocinadores, dou idéias. Isso é muito importante para você ter um bom relacionamento com seus patrocínios. Acho que o skatista tem que ser bom do pé e da cabeça. Saber escolher as marcas que você vai fazer parte também é muito importante, assim você vi ajuda o skate, assim você vai ser muito mais valorizado. E sempre buscar a evolução, isso é o mais importante!

Mão na massa e skate no pé! F/s crooks no ditch. São Caetano do Sul - SP. (Foto: Allan Carvalho)

Biano é overall!. F/s crailslide, Pedro's bowl. Floripa - SC. (Foto: Fabiano Lokinho)


Em sua opinião, quais os skatistas da nova geração do street que serão o futuro do skate nacional?

Pelo o que eu vejo e acredito, tem muitos, como Dudu Ribeiro, Renato de Souza, Yuri Facchini de Curitiba, Jeferson Bill de BH, Ortiz, Trakinas, Akira. Esses e mais um monte que tem potencial e são skate na veia!


Embora sua trajetória esteja totalmente ligada ao street, você é um skatista totalmente overall. Além disso, nos últimos anos você tem se dedicado a andar cada vez mais em bowl e banks. O que mais te atrai nas sessões feitas em transições?

Cara, eu sempre gostei de andar em transição desde que comecei a andar de skate e isso me ajuda muito agora.  As sessões de bowl são muito divertidas e muito fluidas. Fazer curvas, raspar os trucks no copping block,  é muito irado o gás que você pega, as linhas... Isso é muito bom num bowl. Se você consegue, é muito divertido. De todo modo, sempre vou estar com o street no pé.

Skate puro! Biano, Urina e Bitão. Costa Mesa, Califórnia - EUA, 2010. (Foto: Tamara Amad)


Quem são seus companheiros de sessão? E o que você tem escutado ultimamente?

Ando muito com o Noveline, com o Dexter, Ragueb, Paulo Galera. Também tenho escutado muito Metallica, Demian Marley e Naz, Ozzy, Misfits... Um pouco de cada coisa, depende da ocasião.

Quando você retornará a andar de skate? E quais são seus planos de agora para frente?

Volto daqui a dois meses. Quero deixar meu pé zero, ficar bom.  Tenho segundo semestre inteiro e quero viajar muito. Viajar com meus patrocinadores em tour. Tenho uma viagem marcada para Berlin, para fotografar uma entrevista. Vou para Califórnia no final do ano produzir algum material e filmar muito para a minha parte do vídeo Made in Brasil. E também, tentar pegar alguns campeonatos de bowl por lá.

Skate no ditch. São Caetano do Sul - SP. (Foto: Allan Carvalho)

Para finalizar, deixe um recado para os leitores.

Boas sessions e acreditem nos seus sonhos. Vocês podem! Skate 4 life!

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